Brasil & Japão: 100 Anos
E a região nipo-cotiana?
João Barcellos - 21/01/08
É dito que a obra maior da pessoa nipônica no Brasil foi a constituição
da Cooperativa Agrícola Cotia [CAC], e eu digo que foi, sim, uma obra de
ousadia, mas que o feito maior das filhas e dos filhos do Japão foi se
enraizarem na terra tropical sem perderem as próprias raízes orientais.
É verdade que através da CAC os brasileiros aprenderam o valor da cooperação
sócio-comercial, i.e., o cooperativismo, na contra-mão do coronelismo bandeirístico;
e a experiência nipo-cotiana galgou o mundo. Então, a CAC foi a primeira
grande experiência internacional do agro-negócio... e talvez tenha chegado ao
fim pela própria ousadia de enfrentar velhas mentalidades até, e também,
dentro da sua estrutura.
Quando se comemora o centenário da chegada da primeira turma nipônica ao
Brasil, no porto de Santos, o que dizer de Cotia?
Cotia não é mais a aldeia encravada na velha malha piabiyuana que eram os
caminhos guaranis [Cotia: de Koty = Ponto de Encontro // A Casa De], é uma
cidade-dormitório na logística de apoio necessária à expansão metropolitana
da São Paulo dos Campos de Piratininga, como já o foi na expansão bandeirística
dos anos 1600.
Apesar da CAC e da disciplina empresarial que lhe deu origem, Cotia continuou
como curral eleitoral de algumas famílias plutocráticas, como observaram
alguns estudos publicados na USP sobre o Cinturão Verde Caipira, e com ela,
Itapevi e Vargem Grande Paulista, suas antigas regiões administrativas.
E agora?
Face ao centenário nipo-brasileiro-cotiano, o que em Cotia foi iniciado em 2006
e 2007 com palestras na Câmara Municipal, das quais participei, espera-se que
as autoridades, legislativa e executiva, percebam a importância do momento e
reservem para a cidade um instante sublime da celebração histórica tendo a
CAC como pano de fundo.
É o que se espera.
BARCELLOS, João
– Escritor e Consultor Cultural, orientando e dirigindo projetos sócio-culturais em comunidades carentes de Cotia.